terça-feira, abril 19, 2011

Indirecto


Neste mundo existe um grande, grande, grande mal. E´ aquilo que eu chamo do mal do INDIRECTO. 

O mal do indirecto é o principal responsável pela insensibilidade que todos (todos mesmo) temos perante o sofrimento e injustiças que existem no mundo. E´ este mal que nos permite olhar para o lado e continuar a assobiar enquanto prejudicamos objectivamente milhares de pessoas em todo o mundo. 

Sim, tu que estas a ler este texto, prejudicas milhares de pessoas. Porventura és responsável pela morte de uns quantos, sempre de forma indirecta claro… e que alivio é que assim seja não é verdade? 

Como é isto possível? Todos os nossos actos têm consequências que não são visíveis, mas que são bem reais e afectam a vida de todos os outros.

- De cada vez que deitamos comida fora significa desperdício. Milhares de pessoa passam fome e o esbanjar comida é um insulto para essas mesmas pessoas. E afecta-as… indirectamente, claro.

- De cada vez que acumulamos dinheiro. Estamos (muito) indirectamente mas ainda assim a contribuir, para que outras pessoas tenham menos dinheiro. O dinheiro é algo finito e para eu ter mais, terei que ficar com o dos outros. Para eu ser mais rico, têm de existir mais pobres… é uma verdade la palice. Ainda assim, 99% por cento da população só sonha ser milionário.
 - De cada vez que ignoramos aquilo que está diante dos nossos olhos e que tanto nos prejudica, como FMI’s, pseudodemocracias, pseudoliberdades, pseudopoliticos pseudopreocupados com a população, estamos a indirectamente (quem diria?) dar o aval para que todas estas injustiças continuem.

- De cada vez que alguém vai para a tropa, está de forma indirecta (claro…) a dar força `a guerra. A contribuir para que milhares de pessoas morram por causa de interesses de terceiros que nada têm a ver com patriotismo ou com liberdade, mas sim com petróleo, ou interesses monetários… Afinal, se não houvesse tropas para ir para a guerra, a guerra não existiria…

- De cada vez que ficamos defronte da televisão a ver o big brother, estamos de olhos fechados para tudo o que realmente importa nesta vida. Estamos a toldar a mente com informação fútil, que em nada contribui para a nossa felicidade. Estamos a passar a nós próprios um atestado de incompetência e indirectamente (lá está) a permitir que nos continuem a pisar, porque enfim… tudo o que nos importa é quem foi expulso esta semana da casa dos segredos ou quem ganhou o dérbi futebolístico do Domingo.

- De cada vez que gastamos dinheiro num centro comercial em futilidades… estamos a contribuir para este estilo de vida consumista. Estamos a canalizar dinheiro para multinacionais que apenas se preocupam com o lucro e que estão-se nas tintas se têm mão-de-obra barata, se têm crianças a trabalhar no outro lado do planeta ou se estão a destruir o ecossistema através de políticas poluidoras e destrutivas para o ambiente.
 
- De cada vez que nesses mesmos centros comerciais comemos fast food, comida de baixo teor nutricional e de consequências essas bem directas para a nossa saúde, estamos não só a prejudicar a nossa própria saúde, mas a contribuir para que estas cadeias de fast food prosperem e levem `a doença milhares e milhares de pessoas que frequentam estes sítios. Para não falar de que estamos a dar força de forma indirecta (outra vez) para que os animais de que nos alimentamos sejam criados e abatidos em condições deploráveis…

- Se deixamos a torneira a pingar… se deitamos lixo para o chão… se formos com um carro com lugares vazios para o trabalho… se estacionarmos no lugar para deficientes sem o sermos se,se…

Estamos indirectamente a promover isto tudo e muito, muito mais. Poderia estar aqui a escrever indefinidamente.

Já muita gente ouviu esta história… “olhos que não vêem coração que não sente”.  Não é verdade? Preocupar-me com os outros? Porquê? Desde que eu e os meus estejamos bem, o resto, é secundário… “amiga é a minha barriga quando não me esta a doer…”

Mas já vai sendo altura de começarmos a pensar. De mudar de paradigma. Não estamos sós neste mundo. Tudo o que fazemos tem uma consequência. Tudo. E só quando conseguirmos abarcar as verdadeiras consequências dos nossos actos e adequa-los `aquilo que entendemos como sendo o mais correcto…Só ai, estaremos a ser verdadeiramente inteligentes e a contribuir para uma vida e um mundo melhor.

Porque na realidade estamos todos unidos (somos todos um) nesta história que é a vida. Só quando encararmos tudo o que esta distante e fora do olhar como um problema real e de todos, é que seremos uma civilização.

Só quando encararmos o INDIRECTO de forma directa poderemos criar um mundo melhor…

E se chegaste ao fim deste longo texto, estás de parabéns, porque é sinal que de facto bem ou mal ainda… pensas.

quinta-feira, abril 07, 2011

Ironias


 
O Primeiro-ministro demissionário afirma eufemísticamente e indirectamente que vamos ser chulados por uma grande instituição financeira privada de seu nome FMI, e a única coisa a que a população presta atenção é a gafe dele a perguntar se estava bonito…  

Estamos bem f…

quinta-feira, março 31, 2011

À rasca



Para começar, quero apenas dizer que tenho 27 anos, sou licenciado e felizmente tenho um emprego estavel na área em que me formei.

Muito se tem falado e escrito sobre o estado do país e a “suposta” geração à rasca. Tenho estado caladinho aqui para os meus lados, apenas intervenho pontualmente em alguns blogs, mas uma vez que começo a ficar farto resolvi finalmente rebentar de uma vez por todas e escrever o que sinto.

Existem muito críticos desta suposta geração, que gostam de dar asas ao seu direito de opinião rotulando os mesmos como calões. Meninos que vivem à custa dos pais. Ou então que não querem um trabalho, só um emprego na sua area, etc. 

Estas barbaridades começam a tirar-me do sério. Não porque estejam completamente erradas, porque existem de facto muitos destes casos. Mas porque tudo isto é uma gigantesca e aberrante generalização do que é a realidade. E eu pessoalmente sinto-me insultado por fazerem a colagem de tais casos a pessoas que de facto estão com genuínas dificuldades. Que as há, não por culpa própria nem por culpa desses meninos que tiveram a felicidade de nascer em berço de ouro.

Parem de tentar fazer disto um conflito geracional. Parem de se vangloriar que se mataram a trabalhar ou a estudar para terem o que têm. Porque de facto quem pensa aquilo que eu acima referi, são no fundo uns cagões gabarolas que gostam de implicitamente dizer que trabalham muito e que são muito inteligentes. De cada vez que dizem que os “jovens” não querem é trabalhar, estão na realidade é a afirmar: Eu sou muita bom e não tenho dificuldades porque estudei, ou porque fiz isto e aquilo e sacrifiquei-me e etc….


Pois muito bem, agora que já se esfolaram todos para ter uma vidinha melhor… Agora que já desperdiçaram mais de metade da vossa breve vida para conseguir ter umas condições mínimas e aceitáveis de subsistência, enquanto outros usufruem literalmente do vosso esforço e do vosso trabalho para enriquecer chorudas contas bancárias. Não se dêem ao trabalho de apoiar quem precisa. Afinal, vocês já estão assegurados? Para quê estarem a maçar-se. Os outros que percam também a vidinha a trabalhar… é vá lá, como é que havemos de qualificar isto? … “Uma espécie de vingança por eu ser um infeliz…”, ou uma “espécie de justiça social pelo facto de eu ter trabalhado tanto…”

Estes jovens tão falados, que de facto não sabem ainda o que é sofrer, que não sabem o que é a dureza da vida, fazem certamente com as suas manifestações, algo muito mais útil para a sociedade do que todos os velhos do Restelo que optaram por se deitar a sombra da sua glória, enquanto criticam e enterram quem de facto procura melhorar a situação em que todos nos encontramos.

Para alem de que convém saber (por vezes parece que há quem se esqueça), que nem sempre quem se esforça, ou quem passa a vida a trabalhar consegue uma vida condigna. E isto deveria ser algo garantido, mas que não é. Não será isto algo por que vale a pena lutar?

Parem de olhar só para o vosso umbigo. E se não querem de facto ajudar nesta luta que deveria ser de todos (mesmo dos que estão bem na vida e que lutaram para isso), pelo menos não atrapalhem, nem descredibilizem o esforço dos outros. Se já estão bem na vossa vidinha, se de facto acham que está tudo bem neste país, deixem-se estar aí sossegadinhos que ninguém vos chateia. Isto não é nem nunca foi contra vocês…
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