Em casa tenho um gato. E esse gato não é feliz. Não é feliz porque tem medo de muita coisa. E tem medo de muita coisa, porque simplesmente não tem capacidades perceptivas suficientes para perceber como as coisas funcionam.
Tem medo de mim, porque estou constantemente a assusta-lo. Tem medo de sair à rua e conviver com outros gatos, porque nunca saiu de casa. Tem medo da minha viola e eu não toco assim tão mal… No fundo o gato não é feliz porque receia e desconhece todas estas coisas. Eu que estou uns degraus acima na escala de percepção relativamente ao gato, sei que nenhum dos medos que ele sente o coloca realmente em perigo. Sei que a viola não faz mal… a rua idem, e eu só assusto o gato porque gosto de pregar sustos.
E no outro dia, apercebi-me que todos nós somos como o gato. Somos infelizes, porque temos medos. Medo de morrer, medo de não sermos bem sucedidos. Medo de sermos rejeitados. Medo de chegar atrasados, medo de ser despedido, medo de ter medo…
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Medo |
O que (quase) ninguém se apercebe, é que estes medos não têm razão de ser. Nós simplesmente, tal como o meu gato, não conhecemos a abrangência e realidade de tudo o que interage connosco. Mas sinto…tenho quase a certeza, que não há motivos para ter medos. O facto de não sabermos o que é a morte, não implica que tenhamos medo dela. Não há razão para ter medo… viver angustiado e assustado, isso não é viver. Anda alguém a tentar pregar-nos sustos, isso é certo! Agora depende de cada um de nós decidir se queremos ser gatos assustados, ou se queremos ir dar umas voltas à rua…
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Livre |